O evento que teve lugar no teatro da facvest, exibiu o filme Apocalypse Now em sua versão redux de 221 minutos de duração. O debate contou com a presença de um público expressivo, composto de acadêmicos de vários cursos e também membros da comunidade em geral como um simpático grupo de freiras convidadas pelo professor Henrique para o colóquio.
No debate Rafael Schmitt abriu o parlatório falando sobre os aspectos cinematográficos de Apocalypse Now, enfocando aspectos técnicos, teóricos e críticos do filme, identificou as influências da mitologia grega na construção do roteiro e descreveu as particularidades do napalm e do agente laranja que foram amplamente usados na guerra do Vietnã. O historiador Rafael Araldi por sua vez falou sobre os antecedentes colonialistas da obra seminal "O coração das trevas" na qual o roteiro do filme foi baseado. O doutor em teoria da literatura Raul Arruda Filho, citando o escritor católico Grahan Greene, em seu livro o americano tranqüilo, desenvolveu sua fala sobre o tema "a ingenuidade é uma forma de loucura". Rodrigo Soller advertiu o público dizendo "cuidado com o que você deseja", já que naturalmente para o bem ou para o mal seu desejo pode vir a se realizar. O psicanalista Gustavo Volaco, identificou Deus na figura do coronel Kurtz adorado por uma tribo de selvagens caçadores de cabeças.
O objetivo de cativar corações e mentes pode ou não ter sido alcançado, o que não faz a menor diferença já que há uma certa dificuldade em identificar a porosidade de certas fronteiras de cognição e subjetividade nesses eventos.
No final (como no the end da trilha sonora) o que restou foram as trevas.
Excelente filme, excelente discussão e várias perspectivas cercearam as vicissitudes do horror.
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