segunda-feira, 28 de maio de 2012


PSICÓLOGOS, MAIS UM ESFORÇO SE QUEREIS SER REPUBLICANOS


Hoje, dia 28 de Maio de 2012, experimentei o prazer de cumprir um dever e lamento profundamente por aqueles meus colegas que, como os personagens de Samuel Beckett no clássico “Esperando Godot”, insistem em afirmar: “Nada a fazer.”

Era o dia das categorias da saúde em Lages protestarem contra as arbitrariedades do ato médico. A manifestação se deu como um orquestrado movimento que aconteceu em várias cidades brasileiras e que culminará em uma grande passeata em Brasília. A concentração ocorreu no Tanque às 14:00 horas. Ao chegar me encontrei com umas trinta pessoas, mais ou menos, todas do curso de Fisioterapia, elas exibiam faixas e cartazes, eu era o único representante dos psicólogos no evento. Naquele momento entendi minha eleição para a presidência do Centro Acadêmico de Psicologia. Seria eu o único a me importar com o futuro de toda a categoria? Somente eu, Rafael R. Schmitt seria detentor da consciência de que é melhor o auto-governo do que ser a tal ponto governado? Mas para que eu escapasse as armadilhas da vaidade e da soberbia, eis que surge no horizonte da esquina a Carol Coelho, minha colega de Centro Acadêmico. Ah, então alguém mais se importa com o fato de os médicos em uma jogada corporativista estarem pretendendo submeter os psicólogos e demais profissionais da saúde ao seu jugo. Alguém mais se preocupa que a classe dos psicólogos possa vir a perder sua autonomia, sua liberdade de ação e tenha sua participação dentro do permanente desafio da construção do SUS podada pelos interesses médicos. “Pouca gente...” Disse Carol, olhando em volta. “Somos os únicos do curso de Psicologia”, eu disse com minha voz ecoando no deserto do real. Mas a esperança venceu a descrença quando reconheci duas recém formadas psicólogas. Impressionante.
 Quatro foi a contagem final. 
 

Assim, com a presença de jornalistas do Diário Catarinense e Correio Lageano cobrindo a manifestação, fomos escoltados pela polícia todo o percurso, até a Catedral de Lages. Por onde passamos, despertamos a curiosidade dos populares e a simpatia de alguns deles, com nossos cartazes, faixas, apitaço e palavras de ordem:
 “SIM À SAÚDE, NÃO AO ATO MÉDICO!”.
Penso que o resultado foi positivo, divulgamos a causa e manifestamos nosso descontentamento em público e para os meios de comunicação.
A participação da categoria de psicologia foi ínfima porém de qualidade, uma elite.

Colegas estudantes de psicologia, a ascensão social, esperança que todos ou quase todos, manifestam ao se tornarem portadores de diplomas não é tudo que importa. A formação acadêmica, e não apenas aumentar seu poder de consumo, deveria estar no horizonte de seus interesses, sob a ameaça de nos tornarmos, parafraseando Karl Marx, “psicofantas e vulgares portadores de diplomas”. Tornar-se cidadão é participar ativamente das demandas da sociedade. Tornar-se psicólogo num momento tão crítico à construção de nossa identidade profissional sob a ameaça do ato médico, é integrar as alianças de forças contra essa arbitrariedade.
 
Quando o Marquês de Sade, escreveu na sua obra “A filosofia na alcova” um capítulo intitulado: “Franceses, mais um esforço se quereis ser republicanos”, ele estava instando o furor revolucionário, que ele sabia haver no povo francês para que ele se insurgisse contra a tirania. Se eu digo : “Psicólogos, mais um esforço se quereis ser republicanos”, é porque eu estive lá, no dia 28 de Maio de 2012, com minhas duas colegas psicólogas e a Carol, estudante assim como eu, defendendo nossa posição contrária a aprovação do ato médico. NÓS PODEMOS DIZER QUE ESTIVEMOS LÁ! Participamos ativamente da construção de nossa categoria profissional e exercemos nossa cidadania com liberdade.
Uma sugestão para aumentar a participação dos acadêmicos de psicologia nos movimentos da categoria, talvez seja uma boa ideia a inserção de uma cadeira de psicologia evolutiva no curso de psicologia. Assim os acadêmicos descobririam que na natureza o animal que não se movimenta morre. Os psicólogos podem estar em risco de extinção. Os dinossauros, que tinham o cérebro do tamanho de uma ervilha, nunca souberam o que os atingiu. Penso que nós podemos fazer melhor da próxima vez.
Restou ao final um protesto irônico, Getúlio Vargas, que está na origem do SUS, aderiu ao protesto de nariz de palhaço e jaleco.
Parabéns aos que apoiaram a manifestação contra o ato médico.

2 comentários:

  1. Como estive presente, acho mais do que necessário colocar minha posição frente a essa situação!
    Rafa, ótimo texto, creio que você conseguiu dizer tudo apenas com seu título!
    Psicólogos e principalmente estudantes, que estão em formação, buscando seu diploma e reconhecimento como profissionais, de fato. Façam valer este diploma ao qual vocês tanto "sofrem" para pegar, o ATO MÉDICO é de conhecimento de todos vocês, não há desculpas para não saber motivos, razões e causas! Vocês são (ao menos deveriam ser) aqueles que têm que dar o GRITO mais alto!! Nós estamos exercendo nossa cidadania, como disse meu amigo Rafael, e com total liberdade.

    Aos que não foram porque não sabiam ou não puderam comparecer apenas sinto, mas enfim, o que devemos buscar é o nosso lugar e fazer por ele, como verdadeiros Psicólogos.

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  2. Deitados em seus berços esplêndidos, psicólogos e estudantes de psicologia omissos caminham mansamente para o abate. É o preço pago pelo silêncio e o tributo devido à inação. Até quando?

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